frase lida
estica a corda
soa o gongo
gira a roda
toca o bumbo
desce a tora
corre o rato
espreita o gato
queima a tocha
quebrou-se o prato
cavalo corrido
cão latido
na agulha a bala
disparo agora
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Granja
tive uma fazenda
com tomates azulados
e batatas engasgadas
violentos peixes então criados
porcos remelentos bem cevados
carneiros delinquentes adestrados
mas, morreram secos todos
e nada há nisto de fantástico
sempre morde a cobra o próprio rabo
com tomates azulados
e batatas engasgadas
violentos peixes então criados
porcos remelentos bem cevados
carneiros delinquentes adestrados
mas, morreram secos todos
e nada há nisto de fantástico
sempre morde a cobra o próprio rabo
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Quebra
as coisas que mudam
a aula
o banho canino
a avó no asilo
manicure no sábado
cansaço na sexta
estudo na terça
nova que chega
trabalho infindo
coisas de novo
mesmas de sempre
festa querida
sacola devida
nunca chega
o descanso querido
coisas intactas
agora mudadas
não voltam
ficaram
para sempre
para nada
a aula
o banho canino
a avó no asilo
manicure no sábado
cansaço na sexta
estudo na terça
nova que chega
trabalho infindo
coisas de novo
mesmas de sempre
festa querida
sacola devida
nunca chega
o descanso querido
coisas intactas
agora mudadas
não voltam
ficaram
para sempre
para nada
Volta
não olhe
não goste
nem fale
não falta
outra face
de lata
mal-reflete
fracassa
não preciso
não ria
é melhor
calada
outra vez
que seja
o destino
enseja
não goste
nem fale
não falta
outra face
de lata
mal-reflete
fracassa
não preciso
não ria
é melhor
calada
outra vez
que seja
o destino
enseja
Poder
"onde há poder, há resistência",
Marcel Foucault
Marcel Foucault
a existência do poder
sua mecânica seu saber
a resistência em querer
sua corrosão seu fazer
a inexistência do haver
sua estática seu viver
a insistência em não mover
apaga o sol e faz chover
onde há força há poder
onde há fogo, perecer
se no inferno não há morrer
no paraíso não há ser
sua mecânica seu saber
a resistência em querer
sua corrosão seu fazer
a inexistência do haver
sua estática seu viver
a insistência em não mover
apaga o sol e faz chover
onde há força há poder
onde há fogo, perecer
se no inferno não há morrer
no paraíso não há ser
Reinado
da morte o rei ninguém queria
criam no eterno sempre que haveria
de volta ao ponto do início
memória de passado fictício
mas de volta o pretérito não viria
hoje é tudo que havia
do momento a falha é presente
da memória o inimigo é o existente
criam no eterno sempre que haveria
de volta ao ponto do início
memória de passado fictício
mas de volta o pretérito não viria
hoje é tudo que havia
do momento a falha é presente
da memória o inimigo é o existente
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Progresso
levanto os olhos
enxergo longe
vejo o novo
percorro o todo
não perco tempo
não sinto o vento
faz parte o erro
repito o mesmo
mas deixo um mapa
de escoras férreas
estacas pétreas
e devastadas terras
enxergo longe
vejo o novo
percorro o todo
não perco tempo
não sinto o vento
faz parte o erro
repito o mesmo
mas deixo um mapa
de escoras férreas
estacas pétreas
e devastadas terras
Caricatura
mão que voa sobre a folha
gasta o negro e rasga o branco
pinta o rosto e nasce a face
vibra o olho e ofusca a sombra
ao fim da obra desce a tarde
falta a luz e corre o sonho
o homem olha o rabisco louco
perversos olhos e boca torta
cabelos crespos e áureas órbitas
desdenha a mão das cores fáceis
fulge o tino da saliva fonte
toma o corpo malas formas
pernas curvas braços fortes
o terror percorre a branca fonte
sua frio e sobe a tosse
no desenho tosco inventado
se vê tão clara a própria face
gasta o negro e rasga o branco
pinta o rosto e nasce a face
vibra o olho e ofusca a sombra
ao fim da obra desce a tarde
falta a luz e corre o sonho
o homem olha o rabisco louco
perversos olhos e boca torta
cabelos crespos e áureas órbitas
desdenha a mão das cores fáceis
fulge o tino da saliva fonte
toma o corpo malas formas
pernas curvas braços fortes
o terror percorre a branca fonte
sua frio e sobe a tosse
no desenho tosco inventado
se vê tão clara a própria face
Auto-invenção
para Vinícius de Morais
filosofia de mesa
de tiragosto bebedeira
verdade líquida e cansada
é velha e carcomida palavra
da fala sem ato
de volta ao começo
de novo na mesma
no amigo marasmo
alturas etílicas
profundezas de sono
os olhos desejam
os toques de sempre
do barro que veio
ao pó retornou
ilusão de ter sido
mais do nada que foi
filosofia de mesa
de tiragosto bebedeira
verdade líquida e cansada
é velha e carcomida palavra
da fala sem ato
de volta ao começo
de novo na mesma
no amigo marasmo
alturas etílicas
profundezas de sono
os olhos desejam
os toques de sempre
do barro que veio
ao pó retornou
ilusão de ter sido
mais do nada que foi
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Maldição
em cada antro arde a vela
na terra-carne corre a lâmina
gritos toscos abafados
pobres sombras na caverna
em cada palco brilha o astro
em trevas- sala efêmera arte
falas textos decorados
mãos escuras os governa
em cada trincheira fenece o pobre
bombas mortes registradas
lágrimas, cruzes e lanternas
sinais de festa na caserna
em cada igreja some o homem
no púlpito-livro-prato jazem trevas
círios, santos, faunos, divindades
infindas fontes de paz etena
na terra-carne corre a lâmina
gritos toscos abafados
pobres sombras na caverna
em cada palco brilha o astro
em trevas- sala efêmera arte
falas textos decorados
mãos escuras os governa
em cada trincheira fenece o pobre
bombas mortes registradas
lágrimas, cruzes e lanternas
sinais de festa na caserna
em cada igreja some o homem
no púlpito-livro-prato jazem trevas
círios, santos, faunos, divindades
infindas fontes de paz etena
Profecia
de sorte em sorte
em forma, de bálsamo
em vida, na morte
perdida desdita
de cores malditas
explode em formas, em curvas
em sonhos, em brumas
reflete a esmo
torna e cresce
perde e corre
de chances, delírios, revoltas
do tempo ao centro não foge
retorna de costas
ao contrário do horário
não pode, não força, não fala
só ouve a ordem
em forma, de bálsamo
em vida, na morte
perdida desdita
de cores malditas
explode em formas, em curvas
em sonhos, em brumas
reflete a esmo
torna e cresce
perde e corre
de chances, delírios, revoltas
do tempo ao centro não foge
retorna de costas
ao contrário do horário
não pode, não força, não fala
só ouve a ordem
Visões do Paraíso
I.
casebres na taba
são palhas de palma
palácios da selva
presente celeste
II.
pescarias egípcias
soldados de Roma
lavouras assírias
a queda de Tróia
III.
pinturas rupestres
no céu da caverna
prenúncio sinistro
do teto Sistino
casebres na taba
são palhas de palma
palácios da selva
presente celeste
II.
pescarias egípcias
soldados de Roma
lavouras assírias
a queda de Tróia
III.
pinturas rupestres
no céu da caverna
prenúncio sinistro
do teto Sistino
sexta-feira, 3 de julho de 2009
A Lagarta
come verme a polpa, a fruta, a carne, a força e cresce, e sobe, e desce, engrossa, entumesce. O destrutivo rastro, grotescas formas de um labirinto percurso que corre ao externo, ao sol, aos ares, ao vôo derradeiro, ao sempre, ao nunca, ao astro, ao bico do pássaro.
Diversidade
aperta, refresca
levanta, se espanta
eleva, reforça
fala, se inventa
quantas pessoas no mundo
existem iguais a você?
corrida para o lado
para cima para baixo
reforma de tudo
retorno de novo
quantas fazeres no mundo
existem iguais a você?
contralto, agudo
rerime, confessa
revolta, ao ponto
calmaria, confronto
quantos diferentes no mundo
existem iguais a você?
a cidade, o campo
a bola, o riso
recorre e espera
não teme, se altera
quantos de novo no mundo
existem iguais a você?
aumento, tormento
subida, ao centro
saída, não vemos
masmorra, sem ventos
quantos infernos no paraíso
existem iguais a você?
camada, fechada
derrama de leites
compressa de sangue
conquista, aos berros
quantos haveres no mundo
existem iguais a você?
imprime, na carne
satura, perfura
deforma, inventa
não foge, enfrenta
quantos mundos diferentes
existem iguais a você?
levanta, se espanta
eleva, reforça
fala, se inventa
quantas pessoas no mundo
existem iguais a você?
corrida para o lado
para cima para baixo
reforma de tudo
retorno de novo
quantas fazeres no mundo
existem iguais a você?
contralto, agudo
rerime, confessa
revolta, ao ponto
calmaria, confronto
quantos diferentes no mundo
existem iguais a você?
a cidade, o campo
a bola, o riso
recorre e espera
não teme, se altera
quantos de novo no mundo
existem iguais a você?
aumento, tormento
subida, ao centro
saída, não vemos
masmorra, sem ventos
quantos infernos no paraíso
existem iguais a você?
camada, fechada
derrama de leites
compressa de sangue
conquista, aos berros
quantos haveres no mundo
existem iguais a você?
imprime, na carne
satura, perfura
deforma, inventa
não foge, enfrenta
quantos mundos diferentes
existem iguais a você?
Mapa
no fim desta rua
existe uma loja, e lá
se compra a prazo
se vende fiado
se come barato
do lado
não suba a escada
nem desça apressado
corre o boato
impostos devidos
favores roubados
mas siga direto
à porta por perto
pergunte ao velho
agradeça ao cego
agora na praça
não corra da chuva
se abrigue na fonte
verá a saída
a lua o horizonte
a face do mar
o porto aberto
não há como errar
existe uma loja, e lá
se compra a prazo
se vende fiado
se come barato
do lado
não suba a escada
nem desça apressado
corre o boato
impostos devidos
favores roubados
mas siga direto
à porta por perto
pergunte ao velho
agradeça ao cego
agora na praça
não corra da chuva
se abrigue na fonte
verá a saída
a lua o horizonte
a face do mar
o porto aberto
não há como errar
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Burro é quem vota
Agora tenho um novo blog, este para assuntos políticos. O endereço é
www.burrovotaburro.blogspot.com
www.burrovotaburro.blogspot.com
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Verbo
no princípio
eram ouvidos
eram gritos
eram vidas
de tempos em tempos
de pontos a outros
corridas informes
visões de vitrine
ao fim do dia
no início da porta
aberta em dores rebeldias
ouço graves verdes óculos
treme firme e soa a frase
voa o certo e nada o quase
eis-te agora preparado
adeus silêncio, agora fale
eram ouvidos
eram gritos
eram vidas
de tempos em tempos
de pontos a outros
corridas informes
visões de vitrine
ao fim do dia
no início da porta
aberta em dores rebeldias
ouço graves verdes óculos
treme firme e soa a frase
voa o certo e nada o quase
eis-te agora preparado
adeus silêncio, agora fale
Torpor
amarelo iluminado
logo chega o barato
riso cria incontido
doida fala invertida
mas dura a pedra rompe o vidro
é fraco o domo em pedaços
doidos correm os escravos
soberanos de um mundo arruinado
insensível à loucura
segue dura a rocha funda
esquecida noutra parte
eis o barato da verdade
logo chega o barato
riso cria incontido
doida fala invertida
mas dura a pedra rompe o vidro
é fraco o domo em pedaços
doidos correm os escravos
soberanos de um mundo arruinado
insensível à loucura
segue dura a rocha funda
esquecida noutra parte
eis o barato da verdade
segunda-feira, 16 de março de 2009
Igualdade
animais, rebanhos
carneiros e lagartas
sempre em fila comem
iguais e bem servidos
todo pasto é igual
perante o gado
facas, maças
espadas e moinhos
horrores em punhos torneados
tremam os olhos indefesos
toda chibata é igual
perante a carne
loucuras, mentiras
falas invertidas
doidos gritam exemplares
os peculiares a se calarem
toda liberdade é igual
perante a ordem
códigos, regras
estatutos e receitas
vomitam bocas sorrdentes
engolem faces contrafeitas
toda lei é igual
perante o homem
carneiros e lagartas
sempre em fila comem
iguais e bem servidos
todo pasto é igual
perante o gado
facas, maças
espadas e moinhos
horrores em punhos torneados
tremam os olhos indefesos
toda chibata é igual
perante a carne
loucuras, mentiras
falas invertidas
doidos gritam exemplares
os peculiares a se calarem
toda liberdade é igual
perante a ordem
códigos, regras
estatutos e receitas
vomitam bocas sorrdentes
engolem faces contrafeitas
toda lei é igual
perante o homem
terça-feira, 10 de março de 2009
Pacto
na hora do trato
não há pergunta ou resposta
nem hipótese ou aposta
tampouco fiança ou contrato
no instante exato
a testemunha está cega
o juiz tergiversa
o veredito se posterga
os olhos fechados
ou fixos no teto
o pensar distante
inconsciente decide
firmado outrora
de tudo esquecido
ressurge tinindo
o proscrito contábil
as sentenças empoeiradas
são letra renovada
na última cláusula selada
cuja cobrança é agora
não há pergunta ou resposta
nem hipótese ou aposta
tampouco fiança ou contrato
no instante exato
a testemunha está cega
o juiz tergiversa
o veredito se posterga
os olhos fechados
ou fixos no teto
o pensar distante
inconsciente decide
firmado outrora
de tudo esquecido
ressurge tinindo
o proscrito contábil
as sentenças empoeiradas
são letra renovada
na última cláusula selada
cuja cobrança é agora
Loucura
improvável invasão
do real pelo delírio
o palpável esfacela
no concreto imaginário
de longe se observam
palavras atos sem contato
freios faltam à quimera desvairada
barras sobram na cela do internato.
do real pelo delírio
o palpável esfacela
no concreto imaginário
de longe se observam
palavras atos sem contato
freios faltam à quimera desvairada
barras sobram na cela do internato.
Fotossíntese
a água está parada
lenta e surda cresce a alga
verdes mares então daltônicos
do dia a noite estão autônomos
a fagulha oculta na floresta
perdida em noite de seresta
cresce louca e devasta
come muito e não faz sesta
se longe vai o inventado
perto está a dura pedra
não sente a chuva nem a fome
espera calma a gravidade
o sol não vê a lua
nem sonha tolo com planetas
solta fogo em rajadas
franco brilho tudo aclara
luz que ilumina letras
refulge em partituras notas
tal qual reluz em botas
que esmagam idéias frescas
alimentadas por doce néctar
alimentarão amarga cepa
são aquelas primeiras algas
outrora ocultas, agora bestas
lenta e surda cresce a alga
verdes mares então daltônicos
do dia a noite estão autônomos
a fagulha oculta na floresta
perdida em noite de seresta
cresce louca e devasta
come muito e não faz sesta
se longe vai o inventado
perto está a dura pedra
não sente a chuva nem a fome
espera calma a gravidade
o sol não vê a lua
nem sonha tolo com planetas
solta fogo em rajadas
franco brilho tudo aclara
luz que ilumina letras
refulge em partituras notas
tal qual reluz em botas
que esmagam idéias frescas
alimentadas por doce néctar
alimentarão amarga cepa
são aquelas primeiras algas
outrora ocultas, agora bestas
Prisão
do etéreo ao vazio corre
delira o sonho sempre
ser leve abstrato
recusa
a pedra do contato
puro e simples delinquente
sabia, ter tempo para sempre
palpável a todo custo evita
tão claro e belo o vazio
a singularidade impressa
soerguida estrutura
cresce, amedronta e dificulta
destrói singelos em complexos
o vórtice suga por extremos
desperta dores esquecidas
ao redor, a cela está formada
do pó, ao sofrimento e à carne
delira o sonho sempre
ser leve abstrato
recusa
a pedra do contato
puro e simples delinquente
sabia, ter tempo para sempre
palpável a todo custo evita
tão claro e belo o vazio
a singularidade impressa
soerguida estrutura
cresce, amedronta e dificulta
destrói singelos em complexos
o vórtice suga por extremos
desperta dores esquecidas
ao redor, a cela está formada
do pó, ao sofrimento e à carne
Felicidade
como sempre,
se corta a laranja
se arranca a casca
se engole o bagaço
como sempre
a observação
também pergunta
por que
se tudo de repete
nada se mantém
se corta a laranja
se arranca a casca
se engole o bagaço
como sempre
a observação
também pergunta
por que
se tudo de repete
nada se mantém
sexta-feira, 6 de março de 2009
sobre mesa um copo
abriga um líquido
elimina um fato
salienta um risco
sob a cama um saco
guarda rodas tolas
a superstição que teme
também empunha o taco
sob o telhado um teto
protetor protegido reto
fecham paredes portas
vidros e janelas tortas
incônscios seguidos pontos
formados estranha reta
de uma fileira cega
são a verdade incerta
isolados microfatos
em perguntas repressões
são estragos consumados
de certezas protegidas
abriga um líquido
elimina um fato
salienta um risco
sob a cama um saco
guarda rodas tolas
a superstição que teme
também empunha o taco
sob o telhado um teto
protetor protegido reto
fecham paredes portas
vidros e janelas tortas
incônscios seguidos pontos
formados estranha reta
de uma fileira cega
são a verdade incerta
isolados microfatos
em perguntas repressões
são estragos consumados
de certezas protegidas
quarta-feira, 4 de março de 2009
Ódio
nojo
do intermásculo beijo
do feminismo chato
do cantor barato
da frívola fêmea plana
de negros odores densos
da risada cínica atéia
do tostão, na mão hebréia
nojo
destas mãos deformadas toscas
desta voz desta pele
deste monstro, informe e bruto
que habita, um espelho escuro
do intermásculo beijo
do feminismo chato
do cantor barato
da frívola fêmea plana
de negros odores densos
da risada cínica atéia
do tostão, na mão hebréia
nojo
destas mãos deformadas toscas
desta voz desta pele
deste monstro, informe e bruto
que habita, um espelho escuro
Caçarola
ao inferno
este caldeirão maldito
cozinhe, natimortas almas
ferva idiotas falas
desprezo seu verde musgo caldo
suas bolhas, de ossaturas fracas
não passa, de insossa água
evaporará, e não sobrará gota
este caldeirão maldito
cozinhe, natimortas almas
ferva idiotas falas
desprezo seu verde musgo caldo
suas bolhas, de ossaturas fracas
não passa, de insossa água
evaporará, e não sobrará gota
Anticristo

Zandre, "O demônio enamorado"
nas esquinas
numerosas ruas
diversas casas
esquecidas plagas
ali está
enxerga
não visto
fala, estão surdos
à distância
pois correm
é ele
o inimigo, o demo
o belzebu, o lúcifer
indiretos nomes
que dele não fogem
o pé-preto, o rabudo,
o tinhoso, o chifrudo,
o canhoto, o diacho
mas este odiado
em sua roupa surrada
hálito satânico etílico
demoníaco terrível fedor
a pedir esmolas
aos olhos pios
o coisa ruim
é sua única esperança
seu pobre diabo
terça-feira, 3 de março de 2009
Posse

" a dama com chapéu preto e seu cão"
quem de um cão é dono
é também, um canino artefato
nos objetos possuídos
recolhe, sentimentos em garrafas
destila, em olhares frias taças
persegue, etéreas ondas de matéria
corre, não olha
o tempo passa
não vê, a montanha cresce
se perdem controles
olha mais tarde
se espanta, é pouco
que cresça, que viva
que ande, que fale
na hora iminente
o volume tarda
não há espaço
não há saída
ou há saída
mas deixa a outro
a fortuna espera
outro final começa
a aposta lançada
doutro desfecho a promessa
Trincheira
Na cidade universo
dizem vozes panteísta
humanista voa o verbo
batem pinos quadraturas
linhas traçam muitos credos
face que emerge numa língua
e volta a espada ao lingote
o demo, o anjo, franca arte
mas onde soa a cornucópia
o cristo livre e seu rebanho
enfrenta tolo seu invento
o demo, o plano, o cinzento
o repetido monocórido insensato
difunde um evangelho refutado
maquinismo vergastado pelos gritos
sob a égide do livro apagado
acima do mártir artefato
há nuvens pouco-fato
permanece a galáxia escondida
já vista e jamais perdida
dizem vozes panteísta
humanista voa o verbo
batem pinos quadraturas
linhas traçam muitos credos
face que emerge numa língua
e volta a espada ao lingote
o demo, o anjo, franca arte
mas onde soa a cornucópia
o cristo livre e seu rebanho
enfrenta tolo seu invento
o demo, o plano, o cinzento
o repetido monocórido insensato
difunde um evangelho refutado
maquinismo vergastado pelos gritos
sob a égide do livro apagado
acima do mártir artefato
há nuvens pouco-fato
permanece a galáxia escondida
já vista e jamais perdida
Singularidade
o centro destes olhos
é vórtice dobrado
gravidade negativa
repulsão agregativa
dali, fonte emanam
tristes súplicas pungentes
doidas alegrias aparentes
também
sugam sangue fresco
se inundam
do terrível e grotesco
impossível controlados
seguem vivos à vontade
evitam partes e metades
tolos buscam a verdade
é vórtice dobrado
gravidade negativa
repulsão agregativa
dali, fonte emanam
tristes súplicas pungentes
doidas alegrias aparentes
também
sugam sangue fresco
se inundam
do terrível e grotesco
impossível controlados
seguem vivos à vontade
evitam partes e metades
tolos buscam a verdade
Norma
a chuva cai
observa a regra
e vai
assim,
como a pedra,
a árvore,
o sol e a lua
mais longe
no vazio imaginado
não brilha a luz
nem som ecoa
a régua falha
e a arte brota
observa a regra
e vai
assim,
como a pedra,
a árvore,
o sol e a lua
mais longe
no vazio imaginado
não brilha a luz
nem som ecoa
a régua falha
e a arte brota
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Razão
a racionalidade convicta
em linhas gramáticas
sob vista matemática
do axioma à prática
de artifícios vários que se vale
com claros métodos equipados
demônios falsos exorciza
pobres míopes videntes ofuscados
numa perdida certa noite
a incontida loucura extravasa
a mão quadrada em revolta
o branco em folha ela demanda
em linhas gramáticas
sob vista matemática
do axioma à prática
de artifícios vários que se vale
com claros métodos equipados
demônios falsos exorciza
pobres míopes videntes ofuscados
numa perdida certa noite
a incontida loucura extravasa
a mão quadrada em revolta
o branco em folha ela demanda
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Não existem duendes
pesadas pálpebras
não mais sustentam
os desejos olhos
da perseguida luz
uma escuridão se abate
e tudo são trevas
mas lembro, o pretérito dia
o acordar torpor
o aperto no peito, doído
vejo, amigos bebem
a um aposentado alegre
o trabalho duro,
a casa na praia
o filho pródigo,
a despedida amarga
a quitação dos carmas
o primogênito em grito
o matrimônio festa
um olhar de lado
uma palavra tola, um beijo terno
em esquecimento breve, o eterno ferve
ouço tilintar tostões
vistos dançantes números
engulo, o suor salgado
e seu brilho fátuo
recordo um amigo antigo
seu espectro calmo
o estranho novo
o impenetrável vácuo
leio, o diploma em forma
o discurso tenso
um dos primeiros tempos
de esquecimentos vários
creio, na palmatória dura
na lousa escura,
e na voz de ferro
me lembro sempre, do velho morto
do cachorro branco
da fala mansa
e do quitandeiro cego
enxergo, um menido em punhos.
a fala alegre e a gramática torta
a papa espessa e a mama farta
a escada imensa e a parede clara
sinto, uma palmada forte
o pescoço marcado
o sangue pisado,
o líquido que vasa
o choro, a luz, o nada.
não mais sustentam
os desejos olhos
da perseguida luz
uma escuridão se abate
e tudo são trevas
mas lembro, o pretérito dia
o acordar torpor
o aperto no peito, doído
vejo, amigos bebem
a um aposentado alegre
o trabalho duro,
a casa na praia
o filho pródigo,
a despedida amarga
a quitação dos carmas
o primogênito em grito
o matrimônio festa
um olhar de lado
uma palavra tola, um beijo terno
em esquecimento breve, o eterno ferve
ouço tilintar tostões
vistos dançantes números
engulo, o suor salgado
e seu brilho fátuo
recordo um amigo antigo
seu espectro calmo
o estranho novo
o impenetrável vácuo
leio, o diploma em forma
o discurso tenso
um dos primeiros tempos
de esquecimentos vários
creio, na palmatória dura
na lousa escura,
e na voz de ferro
me lembro sempre, do velho morto
do cachorro branco
da fala mansa
e do quitandeiro cego
enxergo, um menido em punhos.
a fala alegre e a gramática torta
a papa espessa e a mama farta
a escada imensa e a parede clara
sinto, uma palmada forte
o pescoço marcado
o sangue pisado,
o líquido que vasa
o choro, a luz, o nada.
Linha
o horizonte linha
vamos juntos a buscá-lo
passos curtos poucos faltam
pontos dedos vamos toquem
sonho tão querido
movimento quase findo
vejo claro mesmo alto
a reta foge não descanso
de ponto em ponto nada sobra
não perco o dia o sono falta
durmo finalmente muito tarde
raia o sol estou sozinho
onde está você agora?
nossa loucura meio linda
era ela mesmo nossa
ou delírio apenas minha?
vamos juntos a buscá-lo
passos curtos poucos faltam
pontos dedos vamos toquem
sonho tão querido
movimento quase findo
vejo claro mesmo alto
a reta foge não descanso
de ponto em ponto nada sobra
não perco o dia o sono falta
durmo finalmente muito tarde
raia o sol estou sozinho
onde está você agora?
nossa loucura meio linda
era ela mesmo nossa
ou delírio apenas minha?
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
A sociedade do cão
apenas um cão
corrente na espinha
ouvidos atentos
olhar vigilante
farto de olfato
não teme não sabe
de onde de fato
espera mais tarde
o prato de carne
recebe de novo
o banho incômodo
a tesoura polida
o perfume fedido
ao espelho não olha
que significa a imagem
não descobre o sentido
um conceito perdido
a simetia perfeita
do dono canino
não vê o traçado
em tudo mudado
os olhos já cegos
a alma perdida
não mais se conhece
tal face num homem
corrente na espinha
ouvidos atentos
olhar vigilante
farto de olfato
não teme não sabe
de onde de fato
espera mais tarde
o prato de carne
recebe de novo
o banho incômodo
a tesoura polida
o perfume fedido
ao espelho não olha
que significa a imagem
não descobre o sentido
um conceito perdido
a simetia perfeita
do dono canino
não vê o traçado
em tudo mudado
os olhos já cegos
a alma perdida
não mais se conhece
tal face num homem
A invenção da roda
gira, retorna e volta
sobe, desce, repete
esmaga, a carne
torce e tece, a veste
não vive, mas fala
existe, (na idéia) inventada
reforma, o passado e o lavrado
e segue, e leva, e traz
a roda, tritura a face
torce os ossos, eleva o fato
cresce, os olhos
desce, a voz
em roda, falam os doutos
ouvem os tolos
ficam os bolos
corre, o feitiço de cronos
a pergunta que fica
na carne sofrida
não viu a subida
e sente a tortura
é onde, estava perdida
quando, escapa o ciclo
que cria sua vida
sem origem precisa
sobe, desce, repete
esmaga, a carne
torce e tece, a veste
não vive, mas fala
existe, (na idéia) inventada
reforma, o passado e o lavrado
e segue, e leva, e traz
a roda, tritura a face
torce os ossos, eleva o fato
cresce, os olhos
desce, a voz
em roda, falam os doutos
ouvem os tolos
ficam os bolos
corre, o feitiço de cronos
a pergunta que fica
na carne sofrida
não viu a subida
e sente a tortura
é onde, estava perdida
quando, escapa o ciclo
que cria sua vida
sem origem precisa
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Impossível
olhares discretos
sorrisos contidos
desconfianças prováveis
do amor impossível
porque temos contratos
d'outros amores e fatos
temerosos deuses olhares
condenações e julgares
alegremo-nos; poderíamos
sem crime ou falta
nos tocar e beijar
trespassar sem medo o olhar
à beira do abismo
não pularemos de fato
não nos feriremos a bala
nem desferiremos palavra
permanecerá no etéreo
outro desejo contido
sempre a dúvida lembrada
do que poderia ter sido
sorrisos contidos
desconfianças prováveis
do amor impossível
porque temos contratos
d'outros amores e fatos
temerosos deuses olhares
condenações e julgares
alegremo-nos; poderíamos
sem crime ou falta
nos tocar e beijar
trespassar sem medo o olhar
à beira do abismo
não pularemos de fato
não nos feriremos a bala
nem desferiremos palavra
permanecerá no etéreo
outro desejo contido
sempre a dúvida lembrada
do que poderia ter sido
Partida
I.
a sandália batida
da poeira que fica
a raiz exposta
do desenterro apressado
são consequências devidas
de movimento antigo
da busca perpétua
do paraíso na terra
II.
hoje a partida
finado o tempo
começa outro ciclo
se renova o espaço
lembro o campo
as marcas lavradas,
o gado vendido
remexo, os bolsos finitos
a matéria exausta
repete a sina
não deixo raízes
nem levo saudades
a sandália batida
da poeira que fica
a raiz exposta
do desenterro apressado
são consequências devidas
de movimento antigo
da busca perpétua
do paraíso na terra
II.
hoje a partida
finado o tempo
começa outro ciclo
se renova o espaço
lembro o campo
as marcas lavradas,
o gado vendido
remexo, os bolsos finitos
a matéria exausta
repete a sina
não deixo raízes
nem levo saudades
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Momento
o movimento preciso
do olhar lascivo
da voz de veludo
do rosto sombrio
é raio do escuro
eco do espaço
desperta a fera da jaula
inunda a represa isolada
no instante seguinte
a água se esgota
a luz se apaga
e a veste está rota
do olhar lascivo
da voz de veludo
do rosto sombrio
é raio do escuro
eco do espaço
desperta a fera da jaula
inunda a represa isolada
no instante seguinte
a água se esgota
a luz se apaga
e a veste está rota
Escudo
aura, que brilha e aclara
proteje, limpa e fala
também blinda e cega,
esconde, reprime e cala
grita, a causa certa
por trás do fogo eterno
divina luz maldita
prisão que nunca finda
proteje, limpa e fala
também blinda e cega,
esconde, reprime e cala
grita, a causa certa
por trás do fogo eterno
divina luz maldita
prisão que nunca finda
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Paisagem
olhar ao entorno
último talvez.
segue o caminho
no giro do lapso.
é paisagem arrasada
gente sumida
peste sedenta
identidade perdida, de vista
folhas queimadas, de lidas.
cidade nova, ao longe
outra velha se move, cansada
um campo próximo, fecundo
atônito de milagres, inculto
a tempestade pensada
seu temido silêncio
odiada reforma sua
que nasce insana
e olha o relógio.
é tempo. de novo.
último talvez.
segue o caminho
no giro do lapso.
é paisagem arrasada
gente sumida
peste sedenta
identidade perdida, de vista
folhas queimadas, de lidas.
cidade nova, ao longe
outra velha se move, cansada
um campo próximo, fecundo
atônito de milagres, inculto
a tempestade pensada
seu temido silêncio
odiada reforma sua
que nasce insana
e olha o relógio.
é tempo. de novo.
Espelho
nova manhã
trabalho
olho o céu
alguém ainda olha o céu?
sabe ainda alguém, existe uma lua?
olho o azul
me vejo o rosto
manchas voam
desejos sobem
idéias somem
olho o lado
estou só
penso alto
desato o nó
concluo claro
deliro agora
resumo aurora
existo sempre
trabalho
olho o céu
alguém ainda olha o céu?
sabe ainda alguém, existe uma lua?
olho o azul
me vejo o rosto
manchas voam
desejos sobem
idéias somem
olho o lado
estou só
penso alto
desato o nó
concluo claro
deliro agora
resumo aurora
existo sempre
Querer
ser ou não ser
não é a questão
ter e não ser
escolha ou não
ser e não ter
desista ou não
fugir ou ficar
ver ou saber
palavras ecoam
perguntas que são
não é a questão
ter e não ser
escolha ou não
ser e não ter
desista ou não
fugir ou ficar
ver ou saber
palavras ecoam
perguntas que são
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Abismo
do píncaro rochedo
à ciclópica vala escura e fria
desce alto o profundo
numa inerte e estranha via
o olhar demorado
desperta o olho avistado
queria ver parou calado
ficou a ouvir, surdo e pasmo
à ciclópica vala escura e fria
desce alto o profundo
numa inerte e estranha via
o olhar demorado
desperta o olho avistado
queria ver parou calado
ficou a ouvir, surdo e pasmo
Moinho
frio automatismo
terminado num gemido
movimento repetido
de mecânico sincronismo
efêmero presente
prazer tão passageiro
estranho ver-olhar
conhecido odiar
terminado num gemido
movimento repetido
de mecânico sincronismo
efêmero presente
prazer tão passageiro
estranho ver-olhar
conhecido odiar
Monos
macacos sobre galhos
sobe-e-desce na folhagem
doutras árvores pulam lados
idéia-nuvem verde margem
grave desce grosso tronco
vida alegre, trava mestra
da terra-mãe, presídio fosso
telúria fonte, selênio gozo
sobe-e-desce na folhagem
doutras árvores pulam lados
idéia-nuvem verde margem
grave desce grosso tronco
vida alegre, trava mestra
da terra-mãe, presídio fosso
telúria fonte, selênio gozo
Círculo
sobre areias avisto
pegadas minhas
ou andares outros
diviso o longe
esqueço o tempo
cresceu o mato
caiu o fruto
brilhou o sol
fulgiu a lua
surgiu a marca
sumiu de novo
voltou à frente
correu ao fim
alimentou a marcha
criou sentido
perdeu a força
voltou perdido
cruzado e gasto
retorna eterno
do fim ao começo
do céu ao inferno
pegadas minhas
ou andares outros
diviso o longe
esqueço o tempo
cresceu o mato
caiu o fruto
brilhou o sol
fulgiu a lua
surgiu a marca
sumiu de novo
voltou à frente
correu ao fim
alimentou a marcha
criou sentido
perdeu a força
voltou perdido
cruzado e gasto
retorna eterno
do fim ao começo
do céu ao inferno
Poder
subir o pináculo
acelerar o luminal
expandir-se ao infinito
enxergar o infinitesimal
o sonho permite
a teoria explica
a filosofia especula
a religião abençoa
delírio que voa
Arte invasão
quer entrar nas mentes
invadir as salas
exaurir os pratos
sorver hemácias
deseja rodar qual carros
derrubar os postes
reformar os trastes
inocentar os pobres
peixes outros
são eles arte
nadam surdos
por águas turvas
tentam cegos
encontrar o lúmen
seu movimento segue
esquecido ou célebre
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