terça-feira, 10 de março de 2009

Loucura

improvável invasão
do real pelo delírio
o palpável esfacela
no concreto imaginário

de longe se observam
palavras atos sem contato
freios faltam à quimera desvairada
barras sobram na cela do internato.

Fotossíntese

a água está parada
lenta e surda cresce a alga
verdes mares então daltônicos
do dia a noite estão autônomos

a fagulha oculta na floresta
perdida em noite de seresta
cresce louca e devasta
come muito e não faz sesta

se longe vai o inventado
perto está a dura pedra
não sente a chuva nem a fome
espera calma a gravidade

o sol não vê a lua
nem sonha tolo com planetas
solta fogo em rajadas
franco brilho tudo aclara

luz que ilumina letras
refulge em partituras notas
tal qual reluz em botas
que esmagam idéias frescas

alimentadas por doce néctar
alimentarão amarga cepa
são aquelas primeiras algas
outrora ocultas, agora bestas

Prisão

do etéreo ao vazio corre
delira o sonho sempre
ser leve abstrato
recusa
a pedra do contato

puro e simples delinquente
sabia, ter tempo para sempre
palpável a todo custo evita
tão claro e belo o vazio

a singularidade impressa
soerguida estrutura
cresce, amedronta e dificulta
destrói singelos em complexos

o vórtice suga por extremos
desperta dores esquecidas
ao redor, a cela está formada
do pó, ao sofrimento e à carne

Felicidade

como sempre,
se corta a laranja
se arranca a casca
se engole o bagaço

como sempre
a observação
também pergunta
por que
se tudo de repete
nada se mantém
acho que esta coluna pode ser um veículo mais amplo de expressões artísticas. O primeiro passo nesta direção pode ser dado com esta foto. De Jaume Plensa, "A grande nômade."

sexta-feira, 6 de março de 2009

sobre mesa um copo
abriga um líquido
elimina um fato
salienta um risco

sob a cama um saco
guarda rodas tolas
a superstição que teme
também empunha o taco

sob o telhado um teto
protetor protegido reto
fecham paredes portas
vidros e janelas tortas

incônscios seguidos pontos
formados estranha reta
de uma fileira cega
são a verdade incerta

isolados microfatos
em perguntas repressões
são estragos consumados
de certezas protegidas

quarta-feira, 4 de março de 2009

Podem estas frágeis palavras ser um intrumento de resistência da civilização ante a barbárie?